O passo a passo prático que vai te tornar um investidor

O passo a passo prático que vai te tornar um investidor

Agora que você parou com as desculpas, eis as oito tarefas básicas que você deve cumprir antes de começar a investir.

Realizar sonhos que requerem grande fôlego financeiro pode ser feito basicamente de duas maneiras: ou você é investidor e tem o dinheiro, porque guardou por algum tempo. Ou você se endivida, parcelando o pagamento.

O primeiro caso pode ser mais trabalhoso, mas é mais barato e você não corre risco de se embananar e acabar inadimplente.

Se você quer optar pela primeira via, a do sujeito que tem o dinheiro na mão, pode se tornar um investidor.

Você pode ser um investidor eventual – aquele que investe o dinheiro “extra” que entra, como o 13º salário ou o bônus – ou um investidor habitual, aquele que poupa todo mês e tem o hábito de investir.

A segunda opção é mais interessante, pois cria um hábito saudável. Faz com que as reservas realmente cresçam de uma forma consistente, fora que você vai quase sempre ter dinheiro na mão para fazer o que quiser.

Os investimentos pagam rendimentos e ajudam você a alcançar a quantia que você precisa juntar mais rápido do que se apenas guardasse a grana embaixo do colchão (ou na sua conta, em todo caso).

Só que não é da noite para o dia que se faz um investidor habitual. Não, você não precisa ser milionário para investir, mas existe sim um “dever de casa” que precisa ser feito antes de se começar.

Montamos um passo a passo de tudo que você deve fazer antes de começar a investir, com foco em sair da caderneta de poupança.

1. Anote quanto você ganha e gasta

Anotar receitas e despesas é uma maneira simples, embora talvez um pouco chata, de mapear a forma como você gasta para fazer os ajustes necessários.

Pode ser com lápis e papel, em uma planilha de Excel ou em um dos muitos apps hoje disponíveis para celulares e tablets. O importante é anotar tudinho, até aquela balinha que você comprou depois do almoço, e tornar isso um hábito.

Guarde notas, recibos e comprovantes de pagamentos. Se for uma compra pequena em dinheiro que não tenha um comprovante, anote num bloco de notas no celular ou num pedaço de papel para não esquecer. Ao fim do dia ou da semana, lance no seu registro.

O ideal é não demorar muito para anotar na planilha, para não acumular trabalho ou esquecer. Depois de alguns meses, a coisa se torna tão automática quanto escovar os dentes. Com alguns meses de registro, você já pode analisar a sua vida financeira de forma precisa.

2. Entenda para onde o seu dinheiro está indo

Depois de uns três a seis meses, você terá uma fotografia da sua vida financeira: o fluxo da sua receita, hábitos de consumo, onde você poderia cortar sem grande impacto na sua qualidade de vida, que gastos aumentaram ou diminuíram e por aí vai.

A conta de luz aumentou? Anda gastando demais comendo fora? Seu pacote de TV a cabo consome um percentual um pouco alto da sua renda?

Procure entender por que as coisas estão caminhando daquele jeito e o que você pode fazer para gastar de forma mais inteligente, sem desperdícios.

3. Se tiver dívidas, saiba quanto deve e para quem

Se você tem dívidas, em atraso ou não, é preciso saber quanto você deve e de preferência, quanto paga de juros. Se tiver dúvidas, você pode se informar com o próprio credor.

As dúvidas em geral aparecem quando a dívida é com o banco. Aí você pode solicitar a tal da planilha de evolução da dívida, que a instituição financeira é obrigada a fornecer.

Se ela se recusar ou você ainda tiver dúvidas sobre os valores, procure uma entidade de defesa dos direitos do consumidor, como os Procons estaduais.

4. Ajuste seus gastos e faça sobrar alguma coisa

O objetivo dos dois primeiros passos era chegar aqui. Verifique onde você pode cortar, se é que você consegue cortar alguma coisa. A ideia aqui é reorganizar seus gastos de forma a fazer sobrar uma grana todo mês.

Das duas, uma: ou essa sobra será guardada para ser investida, transformando você em um investidor (iei!), ou será destinada a quitar suas dívidas, atrasadas ou não.

Alguns exemplos clássicos são substituir marcas no supermercado, comer menos fora de casa, reduzir o pacote de TV a cabo, cortar os serviços que você não utiliza ou usa muito pouco e assim por diante. Infelizmente não tem receita mágica.

É legal tentar tornar as substituições divertidas e agradáveis. Por exemplo, se você decidir cozinhar mais em casa, busque receitas diferentes, cozinhe em família ou com os amigos, decore a mesa, tente fazer da coisa toda um evento.

Também evite cortar o que for muito importante para a qualidade de vida. Manter algum lazer é necessário, pois “muito siso e pouco riso” não só deixarão você infeliz, como tornarão impossível manter o planejamento.

No caso das finanças, o clichê se aplica: gastar menos do que você ganha e guardar dinheiro para os dias chuvosos é absolutamente fundamental para ter uma vida financeira saudável, enriquecer e ser um investidor bem-sucedido.

Homem cozinhando
Para evitar comer fora, transforme as refeições em casa em eventos com amigos

5. Pague ou renegocie dívidas em atraso

Antes de guardar e aplicar dinheiro, é fundamental que você esteja livre das dívidas. Em especial das atrasadas.

Não faz sentido ter dinheiro aplicado enquanto você paga juros e outros encargos muito maiores em empréstimos e financiamentos. Principalmente se estiver correndo o risco de ver algum serviço essencial cortado ou mesmo perder algum bem.

É difícil bater o martelo de quais contas em atraso devem ser renegociadas ou pagas primeiro, pois tudo depende de quanto se está devendo.

Mas você com certeza vai querer resolver aquelas que tiverem consequências mais nefastas, principalmente se elas estiverem batendo à sua porta.

Algo como estar prestes a ser despejado (no caso de aluguel), ser preso (no caso de pensão alimentícia), perder um bem (no caso de financiamento de carro ou casa) ou até ter um serviço essencial cortado (como energia elétrica e plano de saúde).

Em seguida, vêm aquelas que não estão relacionadas a bens e serviços essenciais, mas têm juros elevados, como fatura do cartão de crédito ou cheque especial. Dívidas de juros mais baixos e cuja inadimplência não acarrete “desastres” podem ficar por último.

Se não tiver como quitar suas dívidas em atraso, sua opção é renegociá-las, para que elas não se tornem uma bola de neve impagável por conta de juros e eventuais multas.

Para isso, você precisa entrar em contato com o credor e propor um corte nos juros ou um alongamento de prazo com parcelas menores.

Também pode pegar um empréstimo com juros menores para quitar uma dívida com juros maiores, como tomar um empréstimo consignado para quitar faturas de cartão de crédito atrasadas.

Mas para fazer isso, você tem que ter cumprido a quarta etapa deste passo a passo: ter um fôlego financeiro. Do contrário, vai se enrolar e se endividar de novo.

6. Com as parcelas em dia, adiante os pagamentos

Se tem empréstimos e financiamentos em dia, seu foco deve ser amortizá-los. Isto é, além da parcela que você paga todo mês até a data de vencimento, usar suas sobras (ou pelo menos parte delas) para adiantar o pagamento.

Ao fazer isso, você deixa de pagar os juros que seriam cobrados sobre a quantia amortizada, barateando a dívida e reduzindo o prazo.

É uma boa pedida até mesmo para quem tem financiamentos longos, como os de carros e imóveis.  Você se surpreenderá com o quanto vale a pena.

Adiantar as faturas do cartão de crédito só será vantajoso se você conseguir algum desconto. Se não, é melhor simplesmente continuar a pagá-las em dia, como uma conta mensal qualquer.

No caso das compras parceladas, o ideal seria que você não tivesse parcelado em primeiro lugar, mas pedido desconto para pagar à vista.

Mas já que não foi essa a sua opção de pagamento, vale o raciocínio anterior: se você não conseguir desconto pelo adiantamento, melhor continuar pagando as parcelas normalmente.

7. Comece a encher o porquinho

Cumpridas todas as etapas anteriores, comece a guardar dinheiro em uma aplicação financeira. Pode ser 50, 100 reais por mês, não importa. O ideal é poupar de 10% a 20% da sua renda todo mês. Mas se você só conseguir 1% que seja, também já está valendo.

O ideal é que a poupança seja a primeira coisa a sair da sua conta assim que caírem seus rendimentos. Pague-se primeiro, como dizem os especialistas em finanças.

Algumas instituições financeiras permitem aplicações automáticas na poupança e em outros investimentos, o que ajuda o investidor a não esquecer nem ceder à tentação de deixar de poupar “só desta vez”.

O importante é firmar primeiro o hábito de poupar. Se você nunca teve este costume (ou se ficou afastado dele por muito tempo), a caderneta de poupança e os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) são boas opções para (re)começar.

Ambos são investimentos de baixo risco, oferecidos pelos bancos e fáceis de resgatar. Dentro de alguns meses, quando seu hábito já estiver formado, será hora de buscar alternativas mais rentáveis, ainda que de baixo risco.

Desenvolva o gosto por ver o porquinho engordar para resistir à tentação de gastar. Pense nos sonhos que você quer realizar, eles vão ajudá-lo a seguir em frente.

Pessoa pratica yoga à beira de penhasco
Qual é seu grande sonho? Mantê-lo em mente vai te ajudar a ter disciplina

8. Abra uma conta numa instituição financeira especializada para investir

Agora que você é um poupador, está na hora de sofisticar seus investimentos. E para isso, abrir conta numa instituição financeira especializada em investimentos pode ser a melhor alternativa para conseguir aplicações adequadas ao seu perfil (tipo a Genial! Veja como abrir sua conta!).

Grandes bancos dificilmente oferecem opções de baixo custo e boa rentabilidade a clientes pessoa física, a menos que eles tenham muito dinheiro. Em instituições como corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e gestoras de recursos será mais fácil encontrá-las.

O primeiro passo é escolher uma instituição de confiança. Dê uma olhada no site da empresa e veja se você gosta da navegação e das informações ali disponíveis. Hoje em dia, a maioria dessas instituições faz quase todo o contato com o cliente on-line. Converse com alguém da empresa para tirar suas dúvidas.

Depois de escolher, faça seu cadastro (geralmente ele pode ser feito pela internet). Não estranhe quando pedirem para conhecer todo o seu patrimônio – essas instituições são obrigadas a fazer isso.

Para finalizar o cadastro, você terá de enviar algumas cópias de documentos, o que em alguns casos pode ser feito pela internet mesmo. Você também terá que ler os termos de cada tipo de investimento no qual estiver interessado e dizer se concorda ou não.

Só assim você poderá se habilitar para investir em produtos como ações, Tesouro Direto ou fundos de investimento.

Pronto! Agora você preencheu todos os pré-requisitos para ser um investidor. Os próximos passos envolvem obter orientação e informação, e escolher os investimentos propriamente ditos. Mas toda a parte de preparo já foi cumprida. Bons investimentos!

Veja também como montar um orçamento e organizar as finanças em 5 passos.

Fonte: Blog Genial

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