Afinal, o que quer dizer a frase “não existe almoço grátis”?

Afinal, o que quer dizer a frase “não existe almoço grátis”?

Expressão é uma das máximas das finanças e se manifesta na sua vida de várias maneiras

A frase “não existe almoço grátis” tem sua autoria frequente e erroneamente atribuída ao prêmio Nobel de Economia Milton Friedman. De fato, ele popularizou a frase, mas frisou que não a inventou. Sua origem remonta provavelmente ao século 19, nos Estados Unidos.

Diz-se que a expressão faz referência ao fato de os saloons da época servirem “almoço grátis”, desde que o cliente comprasse bebidas. Ou seja, grátis porcaria nenhuma!

A frase acabou se tornando um dito popular quando se quer dizer que tudo na vida tem um preço, ainda que oculto e pouco óbvio.

Se você não paga, alguém paga

Em termos financeiros, você pode pensar que, mesmo que algo seja de fato gratuito para você, alguém pagará por aquilo. Um site cujo conteúdo é gratuito provavelmente ganha dinheiro de outra forma – publicidade, por exemplo – em vez de cobrar diretamente do usuário. Isso é o que significa a expressão “não existe almoço grátis”.

Talvez o pagamento não seja em dinheiro…

Também existe a possibilidade de que o pagamento não seja em dinheiro, mas na forma de outro recurso.

O preço das coisas, afinal, não precisa ser monetário. O pagamento pode ser feito em tempo, esforço, favores, atenção ou qualquer outro tipo de troca.

Todo mundo provavelmente tem aquele parente ou colega que de vez em quando faz um agradinho para depois pedir alguma coisa, não?

Você no mínimo paga a escolha com uma renúncia

Em finanças, a frase “não existe almoço grátis” costuma se referir especificamente ao conceito de custo de oportunidade.

Esse conceito trabalha com a ideia de que, ao fazer uma escolha, você está automaticamente renunciando a todas as outras alternativas, e que isso por si só faz parte do custo dessa escolha.

Custo de oportunidade, portanto, é o valor daquilo de que você abre mão, são as coisas que você perde ou deixa de ganhar ao escolher uma coisa e não outra. Assim, mesmo quando não há dinheiro propriamente dito envolvido na sua escolha, levá-la a cabo implica esse custo.

Por sinal, o custo de oportunidade tem a ver tanto com as situações em que há desembolso financeiro quanto com aquelas em que o seu pagamento é feito com outro tipo de recurso, como o seu tempo, como já vimos.

Se você quiser se aprofundar um pouco mais no assunto, nós já falamos em outros posts sobre o conceito de custo de oportunidade, sobre os custos intangíveis e difíceis de medir e sobre o custo de oportunidade nas decisões financeiras.

As melhores coisas da vida são de graça mesmo?

Você provavelmente está familiarizado com o clichê “as melhores coisas da vida são de graça”. O amor, a contemplação da natureza, o tempo de qualidade com a família e por aí vai. Mas… essas coisas são de graça mesmo?

Pode ser que sim. Não dá para negar que a sorte existe e que eventualmente vamos conseguir coisas muito boas por acaso, sem qualquer esforço ou “pedágio”, seja seu, seja de outras pessoas.

Mas vamos olhar para essas situações maravilhosas e aparentemente gratuitas mais de perto. Passar tempo de qualidade com a família automaticamente implica que você não poderá empregar esse tempo para fazer outra coisa. Trabalhar, por exemplo.

Ou seja, se você quer passar tempo com a sua família, talvez tenha que abrir mão de ser um workaholic. Esse é o seu custo de oportunidade.

E o amor? Bem, para encontrar o amor, você precisa se colocar em situações em que possa conhecer pretendentes, deverá ter tempo para conhecer a pessoa, e uma vez estabelecidos o sentimento e a relação, precisará despender certos esforços para que a coisa dê certo.

Nenhum relacionamento vive só de amor. Ambas as partes terão que ceder em certos pontos, conversar, chegar a acordos… tudo isso dá um certo trabalho, requer tempo e paciência.

Sem sequer pôr a mão no bolso, você terá que renunciar a uma série de vontades e situações confortáveis para fazer o relacionamento dar certo.

Casal na praia
Amar e contemplar a natureza… as melhores coisas da vida são mesmo de graça?

Saindo um pouco da psicologia barata e falando de finanças

Qualquer decisão financeira tem, no mínimo, um custo de oportunidade, além de seus custos diretos.

O dinheiro, o tempo e muitos outros recursos são escassos. Não dá para fazer tudo. E isso vale para pessoas, empresas e governos.

Assim, quando um governo escolhe investir na educação de crianças e jovens, pode ser que tenha de abrir mão, por exemplo, de um investimento mais maciço nos idosos.

Quando uma empresa deixa de investir hoje porque a situação econômica parece pouco amigável, ela pode acabar pagando caro no futuro por não ter se modernizado.

E para conseguir fazer aquela viagem tão sonhada, pode ser que você tenha que abdicar de consumir algumas coisas hoje a fim de poupar a quantia necessária.

O preço nas letras miúdas

Finalmente, não existir almoço grátis pode significar também que o preço está escondido e que você talvez jamais perceba quanto está pagando, ainda que indiretamente.

Em geral, produtos e serviços muito convenientes, fáceis de consumir ou de baixíssimo risco têm o custo alto, de alguma forma.

Produtos comprados pela internet às vezes são mais caros do que aqueles comprados na loja física correspondente, quando esta existe. Isso fora o eventual preço do frete.

Linhas de crédito muito acessíveis, que dispensam garantias e análises de crédito mais profundas, costumam ser aquelas que cobram os juros mais altos.

É o caso do rotativo do cartão de crédito, do cheque especial e dos empréstimos que você contrata diretamente na internet ou no caixa eletrônico.

Investir pelos grandes bancos, onde você já tem conta corrente, pode parecer uma ótima ideia pela conveniência. Mas toda essa facilidade geralmente cobra seu preço na forma de baixa rentabilidade e custos elevados, ao menos para quem não tem muito dinheiro para investir.

Mesmo quando os custos e a rentabilidade são justos, o potencial de retorno das aplicações financeiras é proporcional ao risco que o investidor corre.

Em tese, um investidor só aceita correr risco se souber que tem a possibilidade de ganhar um rendimento maior do que em uma aplicação de baixo risco.

Assim, ao optar pela segurança, você está abrindo mão de ganhar uma rentabilidade mais alta; e ao optar pela rentabilidade, você abre mão de uma segurança maior.

Questione

A moral da história é que, para não cair em armadilhas, é aconselhável sempre fazer algumas perguntas.

Quem paga pelos serviços que são gratuitos para o consumidor final e de que maneira? Qual o preço das coisas que são fáceis e convenientes? Qual o custo de oportunidade de cada decisão?

A ideia não é deixar de lado tudo que é fácil, conveniente, acessível, seguro ou financeiramente gratuito para escolher sempre o caminho mais trabalhoso e difícil. A ideia é ter subsídios para responder à pergunta: vale a pena?

Quais produtos, serviços e conveniências que você não se importa de pagar? Tem outros exemplos de como não existe almoço grátis? Dê sua contribuição nos comentários!

Fonte: Blog Genial

Please follow & like us 🙂

RSS
Follow by Email
Facebook
Twitter
LinkedIn
Instagram

Disclaimer

O conteúdo do Blog da AMG Capital Agentes Autônomos de Investimentos (“AMG Capital”) não deve ser considerado um relatório de análise para os fins do artigo 1º da Instrução CVM nº 483, de 6 de julho de 2010, tem caráter meramente informativo, não constitui e nem deve ser interpretado como sendo material promocional, solicitação de compra ou venda, oferta ou recomendação de qualquer ativo financeiro, investimento, sugestão de alocação ou adoção de estratégias por parte dos destinatários. Os prazos, taxas e condições aqui contidas são meramente indicativas. As informações contidas neste Blog da AMG Capital foram consideradas razoáveis na data em que ele foi divulgado e foram obtidas de fontes públicas consideradas confiáveis. A AMG Capital não dá nenhuma segurança ou garantia, seja de forma expressa ou implícita, sobre a integridade, confiabilidade ou exatidão dessas informações. O conteúdo do Blog da AMG Capital também não tem a intenção de ser uma relação completa ou resumida dos mercados ou desdobramentos nele abordados. As informações de terceiros disponibilizadas no Blog da AMG Capital não refletem nossa opinião de modo que não nos responsabilizamos pela veracidade, exatidão e correção das informações. Os instrumentos financeiros discutidos no Blog da AMG Capital podem não ser adequados para todos os investidores. Este material não leva em consideração os objetivos de investimento, situação financeira ou necessidades específicas de qualquer investidor. Os investidores devem obter orientação financeira independente, com base em suas características pessoais, antes de tomar uma decisão de investimento. Recomenda-se uma profunda análise das características, prazos e riscos dos investimentos antes da decisão de compra/venda/aplicação/resgate. É expressamente recomendada a leitura do Regulamento, prospecto, edital e demais materiais de divulgação antes da decisão de investimento, com especial atenção aos fatores de risco. A AMG Capital não se responsabiliza por decisões de investimentos que venham a ser tomadas com base nas informações divulgadas e se exime de qualquer responsabilidade por quaisquer prejuízos, diretos ou indiretos, que venham a decorrer da utilização deste material ou seu conteúdo. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Em relação ao conteúdo do Blog da AMG Capital fica proibida sua reprodução ou redistribuição para qualquer pessoa, no todo ou em parte, qualquer que seja o propósito, sem o prévio consentimento expresso da AMG Capital. A Ouvidoria da Genial Investimentos tem a missão de servir de canal de contato sempre que os clientes não se sentirem satisfeitos com as soluções de seus problemas. O contato pode ser realizado por meio do telefone: 0800 605 8888. Para maiores informações sobre produtos, tabelas de custos operacionais e política de cobrança, favor acessar o site: www.genialinvestimentos.com.br.

Related posts

Como declarar renda fixa no Imposto de Renda

Investimentos em renda fixa devem ser informados na declaração de imposto de renda de quem estiver obrigado a declarar. Saldos superiores a 140 reais e rendimentos obtidos com aplicações como CDB, LCI, LCA, debêntures e títulos públicos precisam ser informados à Receita. Neste artigo você vai aprender a declarar...

Leia Mais

Como declarar Tesouro Direto no Imposto de Renda

Investidores que são obrigados a entregar a declaração de imposto de renda 2018 devem informar suas aplicações financeiras na declaração. Os títulos públicos negociados pelo Tesouro Direto não ficam de fora. Neste post, veremos como declarar Tesouro Direto no IR 2018. Algumas regras de obrigatoriedade para entrega da declaração...

Leia Mais

Give a Reply

Gostou deste artigo? Compartilhe!