Com Selic perto de nova mínima, como ficam os investimentos?

Com Selic perto de nova mínima, como ficam os investimentos?

Hoje em 7,50% ao ano, Selic deve terminar o ano em seu menor patamar histórico; novo cenário acaba com rendimento de 1% ao mês com baixíssimo risco

A taxa básica de juros (Selic) mais uma vez se aproxima do seu menor patamar histórico. De outubro de 2012 a abril de 2013, ela esteve no seu ponto mais baixo até hoje, 7,25% ao ano.

Mas agora ela pode cair abaixo deste valor. Atualmente, a Selic se encontra em 7,50% ao ano, mas o mercado espera que ela feche 2017 em 7,00% ao ano, menor valor para o indicador desde que ele foi adotado como taxa básica de juros no país.

A redução é esperada para a próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), a ser realizada nos dias 5 e 6 de dezembro. Para o fim do ano que vem, a expectativa do mercado é de manutenção dos 7,00% ao ano. As estimativas são do Boletim Focus do Banco Central.

Apesar de já ter visto esse filme, a verdade é que o brasileiro está muito mais habituado a juros altos. Um valor de 7,00% ao ano não é exatamente baixo em comparação a outros países, mas para nós é.

Estamos acostumados a pagar juros estratosféricos em empréstimos e financiamentos, mas também a ganhar dinheiro sem esforço e sem sustos na segurança da renda fixa. Bastava pôr os recursos em uma aplicação financeira de baixo risco e sentar em cima para garantir uma rentabilidade de 1% ao mês ou mais.

Esse percentual de 1% ao mês, aliás, ficou sedimentado na mente do investidor brasileiro como a meta a ser alcançada. Quem não gosta de um número redondo, não é mesmo? Além disso, depois de tantas crises políticas e econômicas, o brasileiro é um gato escaldado que foge do risco como o diabo foge da cruz.

Ocorre que, quando a taxa básica de juros cai tanto, o cenário fica diferente: há mudanças na remuneração da caderneta de poupança, que fica ainda menos rentável, e o rendimento da renda fixa conservadora começa a passar longe de 1% ao mês.

A maioria das aplicações de renda fixa de baixo risco tem rentabilidade atrelada à taxa de juros CDI, que se aproxima da Selic, mas costuma ficar um pouco inferior à taxa básica.

Hoje, o CDI está em 7,39% ao ano, o que equivale a um percentual de 0,62% ao mês. Ainda assim, nem todas as aplicações conservadoras pagam 100% do CDI, e mesmo entre as que pagam, pode haver custos com taxas ou imposto de renda.

Não tem jeito: com Selic baixa, o investidor pode esquecer a rentabilidade de 1% ao mês com risco baixíssimo e liquidez diária. Para obter rentabilidades maiores, será preciso tomar um pouco mais de risco. E por risco entenda-se também abrir um pouco mão da liquidez.

Selic baixa não é ruim, pelo contrário!

Não se apresse em amaldiçoar a Selic baixa. Ela não é inimiga do investidor! Como já falamos aqui no blog, a Selic mais baixa estimula o crescimento econômico, a geração de empregos e barateia o crédito. Se não é sinal de uma economia mais saudável, é sinal de que a economia tende a se recuperar. E isso é bom para todo mundo.

Além disso, a Selic normalmente só é reduzida quando a inflação está baixa e sob controle, que é exatamente o que está acontecendo agora. Então, mesmo se o investidor recebe uma rentabilidade menor, é mais fácil ganhar acima da inflação.

Investir em renda fixa conservadora continua necessário

Mesmo com uma rentabilidade menor na renda fixa conservadora, o investidor não deve abrir mão dela. É fundamental que todos os investidores mantenham parte das suas reservas nesse tipo de investimento independentemente da rentabilidade e das circunstâncias econômicas.

A porção mais conservadora da carteira destina-se a acomodar emergências e atender a objetivos de curto prazo. Por isso mesmo, deve ter liquidez diária, podendo ser resgatada facilmente e a qualquer momento.

Aqui é mais importante a segurança do que o rendimento. Porém, é preciso atentar para uma coisa: a rentabilidade não deve ser inferior à inflação.

Além disso, diferentes opções de investimentos conservadores podem oferecer diferentes rentabilidades líquidas, então você pode e deve ir atrás da melhor rentabilidade possível entre as alternativas de baixo risco. A caderneta de poupança geralmente é a opção menos rentável.

Há, por exemplo, fundos de renda fixa conservadora de baixas taxas de administração, CDBs com liquidez diária que pagam bons percentuais do CDI e o título público Tesouro Selic (LFT), atrelado à Selic e negociado via Tesouro Direto. Falamos um pouco dessas opções aqui.

Renda variável e fundos imobiliários são alternativas na bolsa

Juros baixos favorecem investimentos menos conservadores. Estes costumam ser diretamente atrelados a atividades econômicas que se beneficiam de taxas de juros menores e que tendem a crescer nesse cenário.

Esses investimentos são menos conservadores porque têm mais risco do que a renda fixa tradicional, seja pela menor liquidez, seja por terem risco de dar retornos negativos.

Quando se fala em tomar mais risco, os investidores costumam logo pensar em ações e fundos de ações. De fato, um cenário com baixa taxa de juros e perspectivas de crescimento econômico favorecem essas aplicações.

Juros baixos e inflação controlada são circunstâncias que favorecem o crescimento das empresas e, consequentemente, o desempenho das suas ações.

Em uma economia saudável, o investimento em ações pode trazer retornos formidáveis aos investidores, muito maiores do que os da renda fixa em tempos de juro alto.

Mas nem todo mundo se sente à vontade em correr esse tipo de risco. E algumas pessoas não estão dispostas a investir grande parte dos seus recursos em ações e fundos de ações. Nem por isso esses investidores precisam ficar restritos à renda fixa tradicional.

Para ganharem rendimentos maiores, podem recorrer a investimentos moderados, capazes de render mais com apenas um pouco mais de risco.

É o caso dos fundos imobiliários, fundos de investimento que aplicam em imóveis ou papéis de renda fixa usados para financiar empreendimentos imobiliários.

Quando a Selic está baixa, seus rendimentos – geralmente frutos de aluguel dos imóveis da carteira – conseguem superá-la mais facilmente. Além disso, assim como ocorre com as ações de empresas, o mercado imobiliário se beneficia de um cenário de juros baixos e inflação controlada. Ele tende a se desenvolver quando a perspectiva é de crescimento econômico.

Os fundos imobiliários contam com duas vantagens que os tornam particularmente atraentes para as pessoas físicas: isenção de IR sobre os rendimentos e alta liquidez, pois suas cotas são negociadas em bolsa de valores como se fossem ações.

Mas atenção: a remuneração dos fundos imobiliários pode sofrer impactos negativos – por exemplo, em caso de inadimplência de inquilinos ou vacância alta nos imóveis da carteira – e as cotas podem tanto se valorizar quanto se desvalorizar.

Assim, convém manter em mente que não se trata de um investimento ultraconservador, mas sim de uma aplicação moderada para quem quer tentar ganhar mais em tempos de juros baixos.

Entenda melhor o funcionamento dos fundos imobiliários, seus riscos suas vantagens.

Renda fixa também traz oportunidades

Outra opção são os títulos de renda fixa de prazo maior e sem liquidez diária. Ao abrir mão da liquidez e/ou topar ficar com o título por um prazo longo, o investidor consegue rentabilidades maiores.

Estamos falando de CDBs, LCIs, LCAs, certos tipos de títulos públicos e também de debêntures, que são títulos de dívida emitidos por empresas para se financiarem. Estes últimos também se beneficiam quando o cenário econômico é mais saudável e as perspectivas são de crescimento.

As remunerações podem ser tanto atreladas ao CDI quanto prefixadas (acordadas no ato do investimento) ou indexadas a um índice de inflação.

Há três possíveis características que tornam esses títulos menos conservadores. A primeira é a impossibilidade de resgate antes do vencimento, o que acontece com muitos CDBs, LCIs e LCAs que pagam uma remuneração mais alta. O investidor é obrigado a ficar com o papel até o final.

A segunda são os prazos maiores. Quanto maior o prazo, maior a remuneração no vencimento.

A terceira é pela perda de rentabilidade ou pela possibilidade de retorno negativo em caso de resgate antecipado.

Quando o resgate antes do vencimento é possível, ele pode exigir que o investidor abra mão de parte da remuneração para ter seu dinheiro de volta. Ou então o investidor fica sujeito a oscilações nos preços dos títulos, que podem resultar em retornos negativos caso resgate antes do vencimento.

Os investidores brasileiros não gostam muito de abrir mão de liquidez. Faz parte do kit gato escaldado nos tempos difíceis. Mas numa situação de economia mais estável e em rota de recuperação, fica menos inseguro abrir mão da liquidez e pensar mais no longo prazo.

Para fazer isso de forma inteligente, o investidor deve casar a data em que pretende usar os recursos com a data de vencimento das aplicações que não podem ou não devem ser resgatadas antecipadamente.

Além disso, como já dissemos, não deve prescindir daquela reserva de emergência aplicada em investimentos de baixo risco e liquidez diária.

Fundos têm gestão profissional

Finalmente, existem também os fundos de investimento moderados, para aqueles investidores que não estão muito a fim de tomar decisões por conta própria.

Eles podem ser tanto de renda fixa, com um percentual relevante da carteira aplicado em títulos de empresas privadas, quanto multimercados, fundos livres para investir em diversas classes de ativos e usar diferentes estratégias de investimento.

Fundos de investimento permitem uma maior e mais eficiente gestão de risco, pois podem ser bastante diversificados, além de contar com gestão profissional. Essas características também possibilitam a muitos desses fundos terem liquidez quase diária, mesmo sendo moderados.

Nesses casos, o investidor consegue ter acesso aos seus recursos apenas poucos dias após o pedido de resgate.

Fonte: Blog Genial

Não sabe o que fazer com seus investimentos nessa nova era de juros baixos?

Entre em contato com um dos assessores da AMG Capital através do email contato@amgcapital.com.br.

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