Como não deixar as emoções atrapalharem seus investimentos

Como não deixar as emoções atrapalharem seus investimentos

Seis atitudes que ajudam você a controlar as emoções, para manter a paciência e a disciplina na hora de investir sem perder o objetivo.

Paciência e disciplina são as duas maiores virtudes de um investidor. A primeira garante que você consiga esperar que seu dinheiro renda e que seus objetivos de poupança sejam alcançados. A segunda é fundamental para que você se atenha ao seu plano financeiro sem desistir.

Porém, emoções como ansiedade, medo e insegurança são difíceis de controlar e podem atrapalhar o planejamento financeiro até das pessoas que se julgam mais racionais.

Hoje já existem evidências científicas de que as escolhas dos investidores não são completamente racionais e de que as emoções interferem mais nas decisões financeiras das pessoas do que se imagina. Então, coloque na cabeça de que seu lado emocional pode sim te atrapalhar.

“Não há como se livrar das emoções. Elas estão presentes o tempo inteiro e sempre serão mais poderosas que o lado racional. São mais antigas na evolução da espécie e têm um poder desproporcionalmente maior que a razão”, diz a psicóloga Vera Rita de Mello Ferreira, professora da Fipecafi e membro do Núcleo de Estudos Comportamentais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ferreira é autora do livro “A cabeça do investidor” e um dos principais nomes no Brasil da Psicologia Econômica, área que estuda justamente a relação das emoções e do comportamento das pessoas nas decisões financeiras e nos acontecimentos econômicos.

Mas como evitar que as suas emoções deixem você impaciente e indisciplinado? Como impedir que elas estraguem seus planos? Eis seis coisas que você pode fazer para domá-las:

1. Trace objetivos claros

Objetivos claros – com prazo e valor definidos – contribuem para que você mantenha a sua disciplina até nas horas mais difíceis. Se você sabe aonde quer chegar, você tem incentivos para não parar de poupar nem mexer nos investimentos na hora errada.

O ideal é que os objetivos sejam tão claros quanto possível: aposentadoria, viagem de férias, compra da casa própria e por aí vai. Você pode lançar mão de artifícios para deixá-los mais estimulantes, como associar a esses objetivos imagens mentais que te incentivem, como já falei aqui no blog.

“O dinheiro pelo dinheiro não serve para nada. Ter um milhão de reais em dez anos não é um objetivo. Para que você quer um milhão de reais? Objetivo é o que você vai fazer com este milhão”, diz Janser Rojo, planejador financeiro certificado (CFP) da QI Financeiro Consultoria.

A escolha dos seus investimentos deve se dar em função dos seus objetivos e prazos, e não apenas da rentabilidade. Só assim você pode avaliar se sua carteira está indo bem ou mal.

Por exemplo, para um objetivo de longo prazo, pouco importa se há uma perda hoje, desde que ela não comprometa todo o planejamento. Caso as boas perspectivas de longo prazo se mantenham, não há por que resgatar essa aplicação.

Esse raciocínio impede que você resgate um investimento em um mau momento de mercado, incorrendo em perdas que poderiam ter sido evitadas e deixando de aproveitar recuperações.

2. Tenha uma reserva de emergência

Caso você não tenha dívidas e esteja apto a se tornar um investidorseu primeiro objetivo financeiro deve ser formar uma reserva de emergência.

Ela que vai te segurar caso você tenha uma emergência doméstica, de saúde ou profissional, como a perda de um emprego, sem que você precise se endividar ou resgatar aplicações de longo prazo que estejam em um momento de baixa.

A reserva de emergência deve ser encarada como um objetivo de curto prazo, sendo aplicada em investimentos de baixo risco e alta liquidez, isto é, fáceis de resgatar quando você precisar.

Saber que você tem uma reserva que pode ser acessada imediatamente vai fazer com que sua consciência fique mais tranquila quando outros investimentos não estiverem indo tão bem.

3. Tenha objetivos de diferentes prazos

Divida seus objetivos financeiros em curto, médio e longo prazo e comprometa-se a esperar cada um deles amadurecer. Preocupe-se apenas em acompanhar se eles estão no caminho certo, fazendo ajustes caso saiam do rumo.

Segundo especialistas, investimentos de curto prazo podem ser aqueles que vão se concretizar dentro de um ou dois anos; de médio prazo, entre dois e cinco anos; e os de longo prazo, em mais de cinco anos.

Essa é uma técnica que ajuda você a manter a disciplina, pois você sabe quando deve começar a poupar e quanto tempo precisa esperar pelos frutos.

“Se seu objetivo de longo prazo é ter 100 mil reais para pagar a faculdade dos seus filhos, você sabe que precisa começar a juntar esse dinheiro hoje. Se não tomar uma atitude agora, os objetivos não serão atingidos dentro do prazo desejado”, diz Rojo.

Essa também é uma arma formidável para você não resgatar investimentos por impulso em momentos de turbulência e acabar amargando perdas.

Se você tem objetivos de diferentes prazos mais uma reserva de emergência, poderá dormir tranquilo sabendo que tem reservas que podem ser resgatadas em caso de necessidade, mesmo que, no momento, seus investimentos de prazo mais longo não estejam indo assim tão bem.

4. Não fique olhando os indicadores do mercado o tempo todo

Se a oscilação dos preços das ações, dos juros e das moedas lhe causa muita ansiedade, encontre um jeito de evitar olhar para eles toda hora, especialmente se o momento for de crise ou turbulência econômica. O importante é ocupar sua atenção com outra coisa para controlar seu impulso de olhar.

“O investidor pode combinar com seu planejador financeiro ou qualquer outra pessoa de confiança que, em vez de olhar as cotações, ele vai entrar em contato com essa pessoa e conversar um pouco com ela, para desviar a atenção das turbulências”, diz Vera Rita de Mello Ferreira.

Tenha em mente que mais importante do que checar os preços das suas ações a cada cinco minutos, ou a cota do seu fundo diariamente é o desempenho da sua carteira como um todo.

Desde que ela esteja bem diversificada e caminhando no sentido dos seus objetivos, essas oscilações de curtíssimo prazo não importam. Deixe para reavaliar sua carteira mensal, trimestral ou semestralmente.

5. Converse com pessoas de confiança e tenha uma boa noite de sono antes de tomar decisões

Não tenha pressa na hora de fazer decisões financeiras. Assim você evita ser impulsivo ou “Maria vai com as outras”. Ferreira sugere que o investidor sempre converse com alguém de confiança sobre a decisão que pretende tomar, e que espere ao menos um dia antes de executá-la.

“Só o fato de expor as próprias dúvidas e as opções que está considerando já ajuda a pessoa a ponderar melhor. O interlocutor nem precisa dizer muita coisa”, observa Ferreira, que completa que, após adiar uma decisão e dormir uma boa noite de sono, a visão já pode mudar completamente.

6. Anote suas decisões para avaliar, no futuro, seus erros e acertos

Mantenha uma espécie de diário de bordo, com todas as decisões financeiras que você tomar. Anote também análises de especialistas, ou mesmo de conhecidos, que sejam diferentes das suas.

Reunir visões diferentes evita o chamado “viés da confirmação”, aquela nossa tendência a buscar somente opiniões e dados que confirmem aquilo que a gente já pensa.

Depois de um certo tempo, leia seu diário de bordo e compare: quem tinha razão? Você fez boas análises e tomou boas decisões? Ou, no fundo, desejou que acontecesse algo que na verdade não fazia muito sentido?

Olhando para os erros do passado você poderá evitar novos equívocos no futuro. “O investidor passa a ter mais dados sobre como a cabeça dele funciona”, diz Ferreira.

Fonte: Blog Genial

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