O ranking dos investimentos mais e menos rentáveis de 2015

O ranking dos investimentos mais e menos rentáveis de 2015

Dólar, fundos multimercados e renda fixa conservadora foram bem; poupança perdeu da inflação e bolsa caiu

O ano de 2015 acabou e agora é hora de fazer o balanço da vida financeira. Se você está nessa, o ranking abaixo pode ajudar: uma tabela com o desempenho das principais aplicações financeiras, em ordem decrescente de rentabilidade no ano que passou.

O dólar disparou na frente em 2015, fechando o ano em 3,90 reais, uma alta de quase 47%. Em seguida, vieram os títulos públicos de mais curto prazo, notadamente aqueles que têm a remuneração atrelada à taxa básica de juros (Selic), que viu alta ao longo do ano.

Os títulos prefixados e atrelados à inflação de prazo mais longo tiveram desempenho negativo, assim como o principal índice de ações da bolsa, o Ibovespa.

Muitas aplicações, como a caderneta de poupança devem perder da inflação em 2015, que deve fechar o ano em dois dígitos.

Entre os fundos de investimento, que merecem comentário mais detalhado mais adiante no texto, os multimercados foram os que se saíram melhor, em média. Os mais rentáveis, os classificados como multimercados dinâmicos, chegaram a render em média 33% no ano.

Como podem ter estratégias mais flexíveis e investir em diversos tipos de ativos, parece que eles puderam aproveitar melhor movimentos pontuais, como a alta dos juros, a disparada do dólar e a valorização de determinadas ações, mesmo em um cenário no geral complicado.

Confira o ranking dos melhores e piores investimentos de 2015

Aplicação Desempenho no ano
Dólar PTAX 46,62%
Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) – vencimento em 15/05/2019 13,64%
Selic 13,26%
Tesouro Selic (LFT) – vencimento em 07/03/2017 13,25%
CDI*** 13,17%
Tesouro Prefixado (LTN) – vencimento em 01/01/2016 12,74%
Tesouro Selic (LFT) – vencimento em 07/03/2021** 10,77%
Inflação (IPCA)* 10,72%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) – vencimento em 15/05/2017 9,18%
Poupança nova 7,29%
Poupança antiga 7,29%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) – vencimento em 01/01/2017 -0,11%
Tesouro Prefixado (LTN) – vencimento em 01/01/2021 -4,45%
Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais (NTN-B) – vencimento em 15/08/2050 -4,92%
Tesouro IPCA+ (NTN-B Principal) – vencimento em 15/05/2035 -7,11%
Índice Bovespa (Ibovespa)*** -13,31%
Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) – vencimento em 01/01/2025 -18,60%

(*) Estimativa do mercado segundo o Boletim Focus de 31/12/2015.
(**) Título começou a ser negociado em 10/03/2015.
(***) Fechamento em 30/12/2015.
Fontes: Tesouro Nacional, Banco Central e Bovespa.

Renda fixa: ser conservador valeu a pena

Em 2015, o Banco Central elevou a meta da taxa Selic de 11,75% para 14,25% ao ano. Com isso, no ano, a taxa acumulou alta de 13,26%, encarecendo empréstimos e puxando o rendimento de aplicações financeiras pós-fixadas.

As aplicações pós-fixadas têm sua remuneração atrelada à Selic ou ao CDI, taxa de juros que costuma se aproximar da taxa básica.

Assim, investimentos conservadores como os títulos Tesouro Selic (LFT), negociados via Tesouro Direto, se saíram bem.

É o caso também dos títulos de renda fixa emitidos por bancos e empresas que têm remuneração atrelada à Selic ou ao CDI, como CDBs, LCIs, LCAs e debêntures pós-fixados.

Por conseguinte, fundos de renda fixa que investem em papéis pós-fixados no geral tiveram boa rentabilidade, vencendo a poupança e a inflação.

De acordo com dados da Anbima, entidade que reúne as instituições que atuam no mercado de capitais brasileiro, os fundos mais conservadores renderam, em média, pouco mais de 13% em 2015, em linha com o desempenho da Selic e do CDI.

Renda fixa prefixada viu altos e baixos

A renda fixa menos conservadora, porém, sofreu com a forte volatilidade do mercado, devido às grandes incertezas em relação à taxa básica de juros e ao futuro econômico do país.

Alguns papéis prefixados ou atrelados à inflação (e que, portanto, têm parte de sua remuneração prefixada) tiveram ótimo desempenho, ao passo que outros despencaram.

É o caso dos títulos públicos chamados de Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+, com ou sem juros semestrais. Também negociados pelo Tesouro Direto, esses papéis desvalorizam quando a perspectiva é de alta na taxa Selic.

Entre os títulos com estas características, só escaparam os de curto prazo, menos afetados pelas oscilações do mercado. Tanto que a rentabilidade de alguns deles se aproximou da Selic.

Já os de longo prazo, cujos preços têm variações mais fortes devido às grandes incertezas quanto a um futuro mais distante, perderam da inflação. Alguns viram seus preços despencarem e amargaram forte desempenho negativo.

É importante frisar que, no caso dos títulos públicos, as remunerações do ranking acima valem para um investidor que tivesse comprado o papel no início de 2015 e vendido no último dia do ano.

Vendas antes do vencimento do papel são feitas a preço de mercado, definido de acordo com as perspectivas para a Selic. Mas se o investidor comprar o papel para ficar com ele até o vencimento, ele vai receber exatamente a remuneração prometida no ato da compra.

Com a alta da Selic, essa promessa de remuneração aumentou ao longo do ano. A rentabilidade prometida para quem comprou Tesouro Prefixado no início de 2015, com ou sem pagamento de juros semestral, era em torno de 13% ao ano. Quem comprou no fim do ano já recebia uma promessa de cerca de 16% ao ano.

No caso dos títulos atrelados ao IPCA, a promessa de uma remuneração pouco acima de 6% ao ano mais inflação para quem comprasse no início de 2015 passou para mais de 7% ao ano mais inflação para quem comprasse no fim de 2015.

Isso quer dizer que quem comprou um título que pagasse 6% + IPCA no início de 2015 pode até ter visto uma desvalorização nos seus papéis, mas receberá os 6% + IPCA acordados caso fique com o título até o vencimento, o que não é nada mau mesmo com novas altas da Selic.

Poupança não alcançou inflação

Apesar do rendimento relativamente elevado, a caderneta de poupança não conseguiu sequer alcançar a inflação prevista para o ano.

A rentabilidade da poupança é limitada em 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR), esta diretamente influenciada pela Selic.

Embora a alta da taxa básica tenha puxado a TR para cima, o crescimento desta taxa é bastante limitado por um redutor definido pelo governo.

Assim, o rendimento da poupança ficou em 7,29%, enquanto que a última previsão de inflação, segundo os economistas ouvidos pelo Banco Central para o Boletim Focus, é de 10,72%.

Bolsa fechou com forte queda

O Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira, teve um dos piores desempenhos do ano, com queda de 13,31%. Trata-se do terceiro ano consecutivo que a bolsa fecha em queda.

O índice representa o desempenho das ações mais negociadas da bolsa que atendem a certos critérios. Assim, tende a refletir o clima econômico, bastante pessimista em 2015.

No lado econômico, os juros altos atrapalham o crescimento, pois tornam mais caro obter crédito para consumir e investir. Isso se reflete no crescimento econômico negativo que vimos em 2015 e deve continuar em 2016.

Além disso, o aumento nos juros nos Estados Unidos e a perda do grau de investimento do Brasil levam a uma fuga de capital estrangeiro, o que torna o crédito para investimentos mais caro.

Os escândalos de corrupção e a crise política que envolvem o governo federal só pioraram o clima de pessimismo, uma vez que aumentam o clima de insegurança e a dificuldade de prever o que vai acontecer na economia daqui em diante.

Essa negatividade generalizada se refletiu no desempenho dos fundos de ações, que em média tiveram desempenho negativo.

Os fundos indexados o Ibovespa – que procuram replicar o desempenho do índice – caíram em média 12,53%.

Os fundos de small caps, que investem em empresas de menor porte e mais suscetíveis aos soluços da economia, também tiveram desempenho próximo ao do Ibovespa, com queda de 12,37%.

Saíram-se melhor fundos que tentam superar o Ibovespa: os fundos classificados como “Índice Ativo” caíram menos, 9,89%.

Os fundos que investem em empresas em crescimento ou que ainda não teriam atingido seu “preço justo”, conhecidos como fundos de valor ou crescimento, tiveram desempenho semelhante, uma queda de 9,70%.

Os fundos que investem em ações que pagam bons dividendos, normalmente mais conservadores e com melhor desempenho em tempos de crise, caíram ainda menos, 5,84%.

Finalmente, os fundos de ações livre, que escolhem livremente seus papéis, conseguiram escapar do desempenho geral da bolsa, focando em estratégias um pouco mais bem-sucedidas. Em média, caíram apenas 3,30%.

As melhores e piores ações

A consultoria Economatica fez um levantamento considerando as ações que tiveram volume diário de negociações superior a 5 milhões de reais em 2015, e chegou ao ranking das ações que mais se valorizaram e as que mais se desvalorizaram no ano passado.

Os setores com mais ações entre as 20 melhores são o de papel e celulose e o de energia elétrica, com três representantes no ranking cada. A Fibria foi a ação que mais se valorizou, com alta de 71,44%.

Já entre as 20 piores, o setor mais representativo foi o de metalurgia e siderurgia (transformação de aço em produtos de aço), também com três ações no ranking. A ação de que mais se desvalorizou foi a da construtora PDG, com queda de 95,82%.

Confira as listas:

As ações que mais valorizaram

Colocação Empresa Ação Setor Retorno em 2015
1 Fibria FIBR3 Papel, celulose e papelão 71,44%
2 Suzano SUZB5 Papel, celulose e papelão 68,77%
3 Braskem BRKM5 Indústria química 66,18%
4 Klabin KLBN11 Papel, celulose e papelão 64,05%
5 SulAmérica SULA11 Seguradora 51,74%
6 RaiaDrogasil RADL3 Loja de artigos para saúde e cuidados pessoais 42,22%
7 Energias do Brasil ENBR3 Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica 36,24%
8 Minerva BEEF3 Abatedouros 34,34%
9 Hypermarcas HYPE3 Outras indústrias 30,39%
10 Eletrobras ELET6 Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica 29,11%
11 São Martinho SMTO3 Açúcar e produtos de confeitaria 28,60%
12 Santander SANB11 Bancos 28,41%
13 Equatorial EQTL3 Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica 26,75%
14 Multiplus MPLU3 Outros serviços de apoio 25,44%
15 Embraer EMBR3 Indústria de equipamentos aeroespaciais 24,44%
16 Cetip CTIP3 Outras atividades relacionadas a investimentos financeiros 22,42%
17 Dufry DAGB33 Outras lojas de mercadorias variadas 22,34%
18 MRV MRVE3 Construção de edifícios residenciais 21,44%
19 Somos Educação SEDU3 Outros tipos de escolas 20,49%
20 Ultrapar UGPA3 Indústria química 20,36%

Fonte: Economatica

As ações que mais desvalorizaram

Colocação Empresa Ação Setor Retorno em 2015
1 PDG PDGR3 Construção de edifícios residenciais -95,82%
2 Gerdau Metalúrgica GOAU4 Transformação de aço em produtos de aço -85,07%
3 Via Varejo VVAR11 Loja de departamentos -83,80%
4 Gol GOLL4 Transporte aéreo regular -83,40%
5 Oi OIBR4 Telecomunicações -77,35%
6 Ser Educacional SEER3 Educação -73,87%
7 Usiminas USIM5 Transformação de aço em produtos de aço -69,14%
8 Rumo Logística RUMO3 Transporte rodoviário -63,68%
9 Bradespar BRAP4 Administração de empresas e empreendimentos -61,38%
10 Anima ANIM3 Educação -59,74%
11 Pão de Açúcar PCAR4 Loja de departamentos -56,94%
12 Banrisul BRSR6 Bancos -54,66%
13 Cemig CMIG4 Geração, transmissão e distribuição de energia elétrica -51,86%
14 Gerdau GGBR4 Transformação de aço em produtos de aço -49,95%
15 Ecorodovias ECOR3 Atividades auxiliares ao transporte rodoviário -49,90%
16 Qualicorp QUAL3 Outros serviços ambulatoriais de saúde -43,41%
17 Vale VALE5 Mineração de metais -43,22%
18 BTG Pactual BBTG11 Bancos e assemelhados -42,87%
19 Marcopolo POMO4 Indústria de carrocerias e trailers -42,52%
20 Tim Participações TIMP3 Telecomunicações -40,77%

Fonte: Economatica

Fundos multimercados tiveram retorno positivo

Os fundos multimercados, que podem investir seus recursos em diversos tipos de ativos diferentes, podendo adotar várias estratégias, tiveram retorno positivo em 2015, e alguns inclusive ultrapassaram com folga a renda fixa.

Aparentemente, a flexibilidade para misturar estratégias e tipos de ativos, podendo se valer, por exemplo, do desempenho das melhores ações, da alta dos juros ou da disparada do dólar, foi o grande diferencial que beneficiou esses fundos.

Os mais bem-sucedidos foram justamente os multimercados com estratégias mais flexíveis.

Em primeiro lugar, os multimercados dinâmicos, que têm política de alocação flexível, devendo apenas reagir às condições de mercado. Seu rendimento médio, segundo a Anbima, foi de nada menos que 33,01% até 29 de dezembro.

Em seguida, vieram os multimercados macro, que buscam investir de acordo com avaliações de cenários macroeconômicos de médio e longo prazo. Seu rendimento médio foi de 21,31%.

Em terceiro lugar vieram os multimercados classificados como Investimento no Exterior, que podem investir 40% ou mais do patrimônio em ativos no exterior, que renderam 18,09%. Eles puderam fugir um pouco das condições econômicas difíceis no Brasil e se valer do crescimento de outras economias.

Fonte: Blog Genial

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