Quanto custa perder uma oportunidade?

Quanto custa perder uma oportunidade?

Custo de oportunidade é invisível. Para considerá-lo ao tomar uma decisão, pense num universo paralelo. Funciona!

Ao decidir entre várias possibilidades, você considera os prós e contras – benefício e custo – de cada uma, certo? Esse procedimento é intuitivo, apesar de nem sempre acertarmos no que é um pró e o que é um contra.

Entre os contras que pesamos deveria entrar um custo que nem sempre consideramos. Em economia e finanças, ele é considerado tão importante que tem até um nome: custo de oportunidade.

O custo de oportunidade tem a ver com o que acontece quando fazemos uma escolha dentre duas ou mais opções disponíveis. Você já parou para pensar no que significa escolher?

O escritor argentino Jorge Luís Borges tem um conto fascinante que nos ajuda a refletir sobre a natureza das escolhas, sejam aquelas que nós mesmos fazemos, sejam aquelas que as circunstâncias ou terceiros fazem por nós, fugindo ao nosso controle.

No “Jardim dos caminhos que se bifurcam”, de 1941, Borges fala de um livro – um romance – elaborado para ser um labirinto em que todas as pessoas se perdessem.

Ao leitor desinformado, o romance pareceria sem pé nem cabeça, pois narra episódios mutuamente excludentes em uma mesma narrativa. Em um capítulo, o herói morre; no outro, está vivo novamente, e assim por diante.

A ideia do autor do romance – um chinês chamado Ts’ui Pen – era construir um labirinto de tempo, o jardim dos caminhos que se bifurcam.

As bifurcações são as situações em que a história tem mais de um caminho a seguir. É o que acontece, por exemplo, quando um personagem se vê diante de uma escolha, como fugir ou lutar contra seu inimigo.

Em romances normais, o que o leitor vê é apenas uma versão de narrativa dentre muitas. É o caminho escolhido pelo autor. Mas em seu romance, Ts’ui Pen opta por mostrar todas as trajetórias possíveis.

Labirinto
O jardim dos caminhos que se bifurcam, de Borges, é um labirinto de tempo

Toda escolha é uma renúncia

Talvez o labirinto de Borges não lhe pareça estranho.

A Física moderna admite a existência teórica de múltiplos universos, e uma dessas teorias fala em universos paralelos: a noção de que talvez todos os cenários e histórias alternativos para o universo desde sua concepção estejam de fato ocorrendo simultaneamente.

Assim, em algum outro universo você concluiu aquela faculdade que decidiu largar aos 20 anos ou casou com a namoradinha do colegial. Em outros, você já passou desta pra melhor em um acidente, ou sequer nasceu, porque a Terra nem se formou.

Seja como for, cada um dos seus possíveis “eus” só é capaz de experimentar o seu próprio universo, uma única trajetória, ignorando todas as demais possibilidades não realizadas.

O videozinho a seguir fala um pouco mais sobre esta e outras teorias de múltiplos universos de forma bem didática, caso você tenha ficado curioso:

O que é custo de oportunidade, afinal

Partindo da ideia do labirinto de Borges ou ainda de uma reflexão mais filosófica sobre as teorias de multiversos, podemos pensar que cada escolha que fazemos nos leva por um caminho que automaticamente ignora e exclui todas as outras possibilidades.

Em outras palavras, toda escolha é também uma renúncia a todas as outras. A pessoa que você é hoje é o resultado de uma combinação de escolhas (suas, de terceiros ou das circunstâncias), mas é apenas uma versão sua dentre as muitas possíveis.

Essa consciência pode ser usada na hora de tomar decisões. Se você se pergunta coisas como “a que estou renunciando ao escolher este caminho e não os outros?”, “o que estou perdendo ou deixando de ganhar ao optar por A e não por B?”, você está considerando o seu custo de oportunidade.

Custo de oportunidade pode ser definido, portanto, como o valor dos benefícios que você perde ou deixa de ganhar ao fazer uma escolha.

Ou ainda, como o potencial de ganho da segunda melhor alternativa, se considerarmos que aquela que você acaba escolhendo é a que você achou melhor.

Resumindo

Custo de oportunidade é o custo de perder ou renunciar a uma oportunidade em prol de outra. Nossos recursos são finitos – dinheiro, tempo, saúde etc. Não podemos, ao contrário dos personagens do livro de Ts’ui Pen, viver todas as experiências possíveis.

Um bom exercício para começar a considerar o custo de oportunidade nas suas decisões é se imaginar vivendo as diferentes escolhas.

Se eu sou jornalista, mas tinha considerado também ser psicólogo, como seria se eu hoje deixasse o jornalismo para estudar psicologia? Qual o custo dessa decisão para a minha vida? E qual o custo de permanecer onde estou?

E se eu aplicasse parte do que tenho na poupança em ações? Como seria? Eu teria chances de ganhar mais no cenário atual? Ou o risco não justificaria? E minha cabeça, aguentaria o sobe e desce do mercado?

O conceito de custo de oportunidade em economia é geralmente usado para o que se pode medir e precificar. Ou seja, o custo financeiro efetivo de não se fazer determinada coisa.

Mas de uma forma mais ampla, ele nem sempre é fácil de mensurar. É o que vamos ver no próximo post.

Fonte: Blog Genial

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