Saúde, sanidade, tempo. Quanto custa o que não tem preço?

Saúde, sanidade, tempo. Quanto custa o que não tem preço?

O lado mais subjetivo – e difícil – de mensurar os custos de perder uma oportunidade

No último post, falamos do conceito econômico de custo de oportunidade, nem sempre levado em conta na hora de se tomar uma decisão.

Trata-se do custo de perder uma oportunidade. Ou seja, daquilo que você abre mão ao escolher uma coisa e não suas alternativas.

Neste texto vamos falar do lado mais subjetivo dos custos de oportunidade. Em outras palavras, sobre qual é o custo de oportunidade de cada decisão para VOCÊ.

Em economia, custo de oportunidade é um conceito geralmente utilizado para falar de custos financeiros mensuráveis – por exemplo, o que você deixou de ganhar na renda fixa por ter aplicado em uma ação que caiu e perdido dinheiro.

Mas se usado de uma forma mais ampla, o conceito abarca custos bem menos claros e objetivos. Eles podem estar meio escondidos ou ser difíceis de precificar – por serem muito subjetivos, por exemplo.

O custo invisível

O custo de oportunidade pode passar despercebido quando você não sabe das suas possibilidades. Se a única aplicação financeira que você conhece é a poupança, fica difícil aferir o custo de oportunidade de aplicar nela, certo?

Você literalmente não saberia o que está perdendo. Mas poderia estar deixando de ganhar uma rentabilidade superior com o mesmo nível de risco em outras aplicações de renda fixa, por exemplo.

Ou seja, o custo de oportunidade de aplicar na poupança poderia ser alto, mesmo com toda a sua praticidade e isenção de impostos. Mas você não saberia disso para tomar uma decisão consciente.

O custo intuitivo, mas errado

Você pode também medir o custo de oportunidade de forma equivocada, ainda que intuitiva. É a famosa “economia porca” ou “o barato que sai caro”.

Você sabe que pagar uma academia de ginástica e fazer alimentações saudáveis têm custos diretos, desembolsos financeiros.

O custo de oportunidade desses gastos é deixar de fazer outras coisas com o dinheiro, como pagar dívidas, investir ou, sei lá, comprar doces.

Agora suponha que você queira, por algum motivo, cortar gastos e decida passar a tesoura justamente na academia e na boa alimentação, substituindo-as por hábitos não saudáveis? Qual o custo de oportunidade dessa decisão?

Imagine o seu “eu” que não vai à academia (nem faz qualquer outro tipo de exercício) e só come porcaria. Como ele estará daqui a alguns anos?

Pode ser que, no curto prazo, cortar as despesas que você tem com hábitos saudáveis realmente se reflita em economia financeira. Mas no longo prazo, o custo pode ser alto.

Gastos com saúde podem ser elevadíssimos, fora o custo emocional de ficar doente, que é mais difícil de mensurar.

O custo subjetivo e difícil de mensurar

Embora custo de oportunidade possa ser aferido objetivamente até certo ponto, não se pode ignorar o fator humano na hora da decisão.

Quanto custa seu equilíbrio emocional? Qual o valor do seu tempo livre (alguém aí já tentou dar o preço de um trabalho freelance?)? Você conseguiria pôr um preço no tempo que passa com os seus filhos?

Sem querer cair em clichê de comercial de cartão de crédito, não é que essas coisas sejam de graça. Elas não têm preço!

Elas até podem ser precificadas – em tese, tudo pode. A questão é que é bem difícil avaliar o valor dessas coisas, pois elas carregam uma boa dose de subjetividade.

Um inadimplente pode aceitar um pagamento menor para trabalhar nas horas vagas do que alguém que está bem financeiramente.

Pessoas saudáveis muitas vezes estão dispostas a abdicar um pouco do tempo com a família para crescer na carreira. Mas quem tem uma doença terminal talvez não esteja disposto a trocar esse tempo nem por todo dinheiro do mundo.

Mesmo quando falamos de investimentos, o custo de oportunidade pode variar de pessoa para pessoa, de acordo com a tolerância a risco de cada investidor.

É um fato objetivo que investir em renda fixa conservadora traz benefícios como tranquilidade e previsibilidade de caixa pelo custo de perder a oportunidade de ter ganhos bem mais elevados na renda variável.

Em algumas decisões financeiras, inclusive, não é uma questão de ganhar mais ou menos. Suponha que você poupe mensalmente para sua viagem de férias, mas neste mês decida usar o dinheiro que iria para a poupança em uma escapada de fim de semana.

O motivo? Você está muito estressado com o trabalho e precisa relaxar. O custo de oportunidade dessa decisão é deixar de poupar para as férias, bagunçar seu planejamento e ter que cortar gastos nos meses seguintes para compensar.

O valor da poupança e o valor da escapada são os mesmos. E o custo de oportunidade de cada decisão vai depender mais do tamanho do seu estresse que de qualquer outra coisa.

Se você considerar seu aborrecimento atual maior do que o sacrifício de poupar a mais nos próximos meses, você provavelmente vai fazer a sua pequena viagem sem remorso.

Mas se seu estresse for facilmente remediado com um chope com os amigos, você talvez opte pela poupança.

Refúgio na praia com quiosques
Uma escapada pode recarregar as baterias, mas tem consequências

Num caso como esse, não é tanto uma questão de certo e errado, nem de ser ou não ser disciplinado. Mesmo os mais disciplinados podem precisar sair da caixa – e da rotina – de vez em quando.

A questão é tomar essa decisão conscientemente, e com um plano para conseguir arcar com o seu preço.

Repare que em muitas situações, o custo emocional é até mais importante que a grana. Ele deve ser levado em conta em qualquer decisão, inclusive as financeiras.

Mas e o custo de oportunidade que é mais fácil de precificar, por exemplo, na hora de escolher investimentos? Ou de decidir entre se endividar ou resgatar os recursos aplicados? Como saber se um investimento vale a pena ou não? Vamos falar sobre isso no próximo texto! 

Fonte: Blog Genial

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